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SANÇÕES E GEOECONOMIA VISTAS DA PERIFERIA: Informações banais sobre pautas sérias

Não sei se vocês viram as notícias sobre as recém-aprovadas sanções dos EUA à Rússia. Para variar, a ignorantsia (variante exclusivamente local da ‘intelligentsia’) que pontifica na nossa imprensa deixou de fora o item mais importante da matéria. Reproduziram toda os chavões empacotados pelos press releases da Casa Branca sobre hackers, eleições americanas, terrorismo, etc. Mas nenhum, repito, nenhum órgão da mídia escrita, falada ou internetizada da nossa republiqueta mencionou o pequeno detalhe de que, uma vez que firme a nova lei de sanções, Trump poderá, com uma canetada, interromper todo o trabalho de construção do gasoduto Nord Stream 2, que tem um orçamento (CAPEX incluindo custos de financiamento) de mais de US$ 11 bilhões, e que permitirá a expansão do fornecimento de gás russo a Alemanha e, por seu intermédio, para outros países europeus ocidentais. Para que se estime o seu impacto, esse gasoduto, quando finalizado, praticamente dobraria a…

PIB, demanda efetiva e variação de estoques: uma visão pessimista do que já ocorreu em 2017

Os dados do PIB relativos ao primeiro trimestre de 2017 foram bastante comemorados pelo Governo. De acordo com a versão oficial, a expansão de 1% registrada no primeiro trimestre de 2017 já significaria, após oito trimestres de queda, o fim da recessão. Otimista, o ministro da Fazenda tem declarado que o país já se encontra na direção correta, ainda que falte um caminho a ser percorrido para uma plena recuperação. O Gráfico 1 mostra o índice do PIB desde 2010 e já deixa bastante claro o quão pequena foi a reversão registrada no último trimestre, diante da intensidade do processo recessivo do período 2015/16. Considerando o acumulado dos últimos quatro trimestres contra os quatro anteriores, a queda do PIB ainda é de 2,34%. Considerando este último trimestre contra o primeiro trimestre de 2016, a queda é de 0,35%. Em sua pretensão de gerar expectativas positivas, o Governo tem dado total…

UMA FARSA QUASE TRÁGICA: A ESQUERDA “MODERNA” E A AMEAÇA FASCISTA

De acordo com Josef Stalin (1934):

A vitória do fascismo na Alemanha deve ser vista não só como um sinal da fraqueza da classe operária e o resultado da traição da social-democracia, que abriu o caminho ao fascismo. Ela deve ser vista igualmente como um sinal da fraqueza da burguesia, um sinal de que a burguesia já não tem condições para exercer o poder segundo os métodos parlamentares da democracia burguesa, motivo pela qual se vê obrigada a recorrer, na politica interna, aos métodos terroristas de governo.

Em relação à nova ameaça fascista que enfrentamos atualmente a situação é parcialmente diferente. Nos anos 30 do século passado, os liberais toleravam o fascismo para barrar o crescimento da esquerda. Agora é a “nova” esquerda que está ajudando os fascistas a dar uma sobrevida ao neoliberalismo.

Navegando em Círculos

Em dois textos recentes, CARNEIRO (2017) e CARNEIRO & MELLO (2017), Ricardo Carneiro propõe uma interpretação de por que teria dado errada a condução da economia nos governos Dilma e faz uma proposta de solução do problema da retomada do crescimento. No primeiro texto, faz algumas criticas a SERRANO & SUMMA (2015). Aqui nos parece que vale a pena uma réplica, principalmente porque a proposta de saída da crise atual é surpreendentemente parecida com alguns aspectos da politica que nos levou a crise atual.

A Questão da Previdência Publica e a Natureza do Sistema de Repartição

A questão da previdência entrou definitivamente no centro do debate político e econômico como um elemento importante da agenda de reformas conservadoras. Tal discussão oscila entre debates contábeis, ideológicos e até demográficas. Sem diminuir a importância de tais questões, é curioso notar que ao se tratar de um tema eminentemente econômico o que menos se observa é, exatamente, o aprofundamento do debate, e confronto de ideias, segundo abordagens teóricas distintas.

Macroeconomia, a falácia do pai de família e a PEC 241

O discurso moralista diz que o Estado, assim como um pai de família, deveria sempre gastar menos do que ganha. Esse discurso acaba por sugerir ao cidadão, leigo em economia, que: 1) é possível a todos os agentes de um sistema econômico ganhar mais do que gastam, e 2) que o Estado apresenta algum tipo de restrição financeira, típica de um pai de família. Esse discurso é falacioso porque, 1) não é possível no agregado de um sistema econômico ganhar mais do que é gasto e 2) o Estado não quebra quando se endivida na moeda que ele mesmo emite, ou seja, na dívida pública denominada em sua própria moeda (reais, no caso brasileiro). Infelizmente, esse discurso falacioso está ganhando adeptos entre as pessoas que tomam decisões importantes para o futuro do país. Esta retórica chegou a tal ponto que o governo pretende aprovar uma Proposta de Emenda à Constituição…

The ‘Resilience’ of ‘Austerity’: Behind the Hype of Buzzwords

It is not a simple task to convince a government – especially in developing countries where the need for prosperity and better income distribution is dire – to shoot its own foot by adopting growth-thwarting, job-losing “stabilisation” policies.

For this reason, back in the 1990’s promoters and advocates of the Washington Consensus employed a whole lexicon of catchphrases and buzzwords to build a moral-sounding, all-enveloping discourse in which to couch a hard kernel of neoliberal recipes.

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