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Navegando em Círculos

Em dois textos recentes, CARNEIRO (2017) e CARNEIRO & MELLO (2017), Ricardo Carneiro propõe uma interpretação de por que teria dado errada a condução da economia nos governos Dilma e faz uma proposta de solução do problema da retomada do crescimento. No primeiro texto, faz algumas criticas a SERRANO & SUMMA (2015). Aqui nos parece que vale a pena uma réplica, principalmente porque a proposta de saída da crise atual é surpreendentemente parecida com alguns aspectos da politica que nos levou a crise atual.

A Questão da Previdência Publica e a Natureza do Sistema de Repartição

A questão da previdência entrou definitivamente no centro do debate político e econômico como um elemento importante da agenda de reformas conservadoras. Tal discussão oscila entre debates contábeis, ideológicos e até demográficas. Sem diminuir a importância de tais questões, é curioso notar que ao se tratar de um tema eminentemente econômico o que menos se observa é, exatamente, o aprofundamento do debate, e confronto de ideias, segundo abordagens teóricas distintas.

Macroeconomia, a falácia do pai de família e a PEC 241

O discurso moralista diz que o Estado, assim como um pai de família, deveria sempre gastar menos do que ganha. Esse discurso acaba por sugerir ao cidadão, leigo em economia, que: 1) é possível a todos os agentes de um sistema econômico ganhar mais do que gastam, e 2) que o Estado apresenta algum tipo de restrição financeira, típica de um pai de família. Esse discurso é falacioso porque, 1) não é possível no agregado de um sistema econômico ganhar mais do que é gasto e 2) o Estado não quebra quando se endivida na moeda que ele mesmo emite, ou seja, na dívida pública denominada em sua própria moeda (reais, no caso brasileiro). Infelizmente, esse discurso falacioso está ganhando adeptos entre as pessoas que tomam decisões importantes para o futuro do país. Esta retórica chegou a tal ponto que o governo pretende aprovar uma Proposta de Emenda à Constituição…

The ‘Resilience’ of ‘Austerity’: Behind the Hype of Buzzwords

It is not a simple task to convince a government – especially in developing countries where the need for prosperity and better income distribution is dire – to shoot its own foot by adopting growth-thwarting, job-losing “stabilisation” policies.

For this reason, back in the 1990’s promoters and advocates of the Washington Consensus employed a whole lexicon of catchphrases and buzzwords to build a moral-sounding, all-enveloping discourse in which to couch a hard kernel of neoliberal recipes.

FX: WORLD’S BIGGEST MARKET PULLS BACK (A LITTLE ) AT LAST

The daily turnover of global foreign exchange markets fell by 5.6% from April 2013, to an average US$ 5.1 trillion in April 2016, according to the recently published figures of the Bank for International Settlements’ “Triennial Central Bank Survey”. It is also the first time since 2001 that FX spot turnover has subsided. Naturally, exchange rate movements influence comparisons with previous surveys. In particular, the appreciation of the US dollar between 2013 and 2016 reduced the USD value of turnover in other currencies. When valued at constant (April 2016) exchange rates, global turnover increased slightly, by about 4% between April 2016 and April 2013. Nevertheless, the latest developments contrast with the strong growth in turnover observed between Triennial Surveys since 2001. Indeed, the previous decade had seen a continuous growth in the global size of the currency markets, with traded values increasing by nearly 400%, from US$ 1.1 trillion in…

Big Changes In The Pipeline: Look Eastward

While the Western world was held spellbound, as usual, by its own navel fluff (which this week answered to the silly media catchword “Brexit”), the real action was once more happening in Asia.

One day after having met privately with President Xi Jinping during the summit of the Shanghai Cooperation Organisation (SCO), Russian President Vladimir Putin visited China this Saturday, accompanied by six of Russia’s seven Deputy Prime-Ministers – the core of the country’s government – and, crucially, by the CEOs of Rosneft and Gazprom, the giant oil and gas companies.

Uma ponte para o atraso

O futuro, no vocabulário político, representa não apenas uma referência temporal que segue o momento presente, mas incorpora um valor positivo de esperança e superação das falhas e problemas do passado. Não surpreende que o nome do projeto econômico apresentado pelo PMDB como sua credencial para opção política ao governo do PT tenha adotado o termo, como o ponto de chegada de uma “ponte” sobre a profunda crise do presente. O programa tem como sua peça de resistência uma série de propostas para resolver uma suposta “grave crise fiscal” refletida inicialmente no déficit nominal elevado de 2016, que se origina na própria recessão/queda das receitas e elevados juros nominais, e no indicador de dívida bruta. Entretanto, parte do documento é dedicada a identificar problemas estruturais, ou seja, uma tendência de elevação persistente do dispêndio que causaria efeitos negativos sobre a economia no longo prazo. A recente, e verdadeira, tragédia grega exemplifica bem tal situação.

A destruição destruidora

É possível que muitos dos que observam a atual crise da economia, do emprego, das grandes empresas de engenharia, das empresas estatais, do PT e mais geral, do sistema político brasileiro considerem que estamos vivendo uma fase difícil e traumática, mas que tal como no processo de destruição criadora de Joseph Schumpeter, ou, na visão do Cândido narrada por Voltaire, ela abrirá espaço para uma desejada renovação econômica, social e política. Eu, talvez porque não conheça muito de metafisica, considero a atual crise de uma forma mais materialista: ela se traduz em uma extraordinária desvalorização das empresas estatais e dos seus ativos. Abre-se uma lucrativa oportunidade para a compra barata destes ativos e para provisão mercantil (cara) de serviços públicos. A criatividade empresarial é obter algum ganho em troca de nada. Tudo, é claro, dentro da lei.

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