NEOFASCISMO NO SÉCULO 21:Homologia Estrutural, Contingência Históricae o Caso Trump
O presente artigo examina a validade da aplicação conceitual da categoria de neofascismo a governos populistas de extrema direita no Ocidente na terceira década do século 21, tomando o governo de Donald Trump nos Estados Unidos como estudo de caso central. A partir de uma análise das características estruturais do fascismo histórico (1922–1945), identificadas mediante o método do materialismo histórico, o artigo propõe critérios de enquadramento conceitual que permitem distinguir entre traços superficialmente análogos e homologias estruturais genuínas. Argumenta-se que o conceito de neofascismo não designa uma mera repetição do fascismo clássico, mas a reativação, em condições históricas materialmente distintas, do seu núcleo estrutural essencial: a reorganização autoritária do capitalismo em crise mediante a destruição das organizações autônomas da classe trabalhadora, a mobilização ultranacionalista com base em hierarquias étnico-raciais, o culto carismático ao líder, o Estado policial e a política como guerra existencial contra inimigos internos e externos. O artigo argumenta ainda que o (neo)fascismo não representa uma ruptura com a democracia liberal formal, mas um aprofundamento radical de suas premissas excludentes originárias, e que o crescimento da extrema direita nas últimas décadas está estruturalmente vinculado ao abandono, pela esquerda ocidental, das plataformas redistributivas e da defesa dos interesses materiais da classe trabalhadora. A análise das ações concretas e do discurso ideológico do governo Trump (MAGA) demonstra a presença inequívoca de todos os critérios estruturais propostos, justificando, com as devidas mediações teóricas, a aplicação do qualificativo neofascista.
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