Inserção externa

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Crescimento, inserçao externa e estratégias de desenvolvimento no Brasil e na China

O objetivo desse artigo é examinar as políticas de inserção econômica internacional através do comércio exterior da China e do Brasil relacionando- as com as suas estratégias de desenvolvimento recente. Sustenta-se aqui que a baixa produtividade na produção de alimentos, a grande dependência chinesa às importações de bens de capital requeridas para acelerar a industrialização e a recusa a uma estratégia de alta dependência ao financiamento externo conduziram, no final dos anos 70, a uma ampla estratégia estatal de promoção de exportações e simultaneamente de atração ao investimento externo. A estratégia chinesa de construir um amplo mercado interno e de promover as exportações de forma articulada com os investimentos externos encontrou, nos anos 80, um ambiente geopolítico e uma macroeconomia regional amplamente favoráveis. Nos anos 90, esta estratégia de “articulação desde dentro” vem sendo mantida pelo governo ainda que sob maior pressão econômica e política dos EUA que tenta impor à China maior abertura financeira e comercial.

Inserção externa, exportações e crescimento no Brasil

Nos textos iniciais da CEPAL, e, em particular, no pensamento original de Raul Prebisch, o crescimento das exportações era considerado fator estratégico para um crescimento econômico sustentado. A questão geral com a qual os países latino-americanos se deparavam em seu processo de industrialização, argumentava Prebisch, era a da restrição de divisas; a questão particular com a qual alguns países se deparavam era a exiguidade de seus mercados internos. Contemporaneamente, em diversas teorias e interpretações sobre o desempenho econômico comparativo dos países, a relação entre exportações e crescimento econômico longe de apresentar a mesma clareza como a desenvolvida por Prebisch constitui um tema extremamente polêmico e não raro apresenta- se de forma obscura. A polarização entre uma modalidade de “crescimento liderado pelas exportações” e um “crescimento liderado pelo mercado interno” ou, como assim se refere o Banco Mundial, a existência de uma via “orientada para fora” e uma outra “orientada para dentro” tal como as que supostamente teriam predominado na Ásia e na América Latina revelam interpretações e mecanismos de causalidade muito distintos e mesmo opostos. A rigor, a versão neoclássica do crescimento liderado pelas exportações, difundido pelo Banco Mundial, enfatiza não propriamente o papel das exportações no crescimento mas a importância da neutralidade de incentivos (tarifas, taxa real de câmbio,etc) e da abertura externa (importações) para uma alocação eficiente de recursos. Segue-se desta abordagem um corolário inteiramente arbitrário: as vias de crescimento lideradas pelas exportações foram construídas por políticas econômicas “amigáveis aos mercados” o contrário do que teria predominado naquelas lideradas pelo mercado interno.

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