Carlos Pinkusfeld

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A Questão da Previdência Publica e a Natureza do Sistema de Repartição

A questão da previdência entrou definitivamente no centro do debate político e econômico como um elemento importante da agenda de reformas conservadoras. Tal discussão oscila entre debates contábeis, ideológicos e até demográficas. Sem diminuir a importância de tais questões, é curioso notar que ao se tratar de um tema eminentemente econômico o que menos se observa é, exatamente, o aprofundamento do debate, e confronto de ideias, segundo abordagens teóricas distintas.

Produtividade do trabalho em uma perspectiva de setores verticalmente integrados: Uma análise para o período 2000-2008 no Brasil

O presente artigo propõe uma análise da evolução da produtividade do trabalho em uma perspectiva de setores verticalmente integrado (SVI), partindo do arcabouço proposto originalmente por Pasinetti (1973). O trabalho argumenta que a análise da produtividade do trabalho em SVIs evita que se capte, como aumento de produtividade, efeitos decorrente da mera terceirização de atividades, como ocorre com a medida de produtividade direta do trabalho (produção física por trabalhador), ou da variação de preços relativos, como ocorre com a produtividade aparente do trabalho (valor adicionado por trabalhador).

Uma ponte para o atraso

O futuro, no vocabulário político, representa não apenas uma referência temporal que segue o momento presente, mas incorpora um valor positivo de esperança e superação das falhas e problemas do passado. Não surpreende que o nome do projeto econômico apresentado pelo PMDB como sua credencial para opção política ao governo do PT tenha adotado o termo, como o ponto de chegada de uma “ponte” sobre a profunda crise do presente. O programa tem como sua peça de resistência uma série de propostas para resolver uma suposta “grave crise fiscal” refletida inicialmente no déficit nominal elevado de 2016, que se origina na própria recessão/queda das receitas e elevados juros nominais, e no indicador de dívida bruta. Entretanto, parte do documento é dedicada a identificar problemas estruturais, ou seja, uma tendência de elevação persistente do dispêndio que causaria efeitos negativos sobre a economia no longo prazo. A recente, e verdadeira, tragédia grega exemplifica bem tal situação.

Revisitando o Debate Nurkse-Furtado na Década de 1950

A Teoria do Desenvolvimento apresenta um conjunto de elementos analíticos que são centrais e comuns a grande parte dos seus autores. Entretanto, apesar de características que conformam este campo do conhecimento econômico há pontos sobre os quais um menor consenso se observa; este é o pano de fundo da releitura crítica do debate Nurkse-Furtado da década de 1950.

Desenvolvimento Econômico e Provisão de Bens e Serviços Públicos: Aspectos Teóricos deste Debate

Entendendo que o acesso a determinados bens e serviços públicos é crucial para um processo de desenvolvimento que preze pela igualdade social, e que este tema nem sempre recebeu a devida atenção, particularmente dentro da Teoria do Desenvolvimento, procura-se, inicialmente, investigar como tal questão é abordada pelos autores deste campo teórico, assim como o porquê de não o terem explorado de forma sistemática.

Orçamento e Conflito Distributivo

A grande notícia econômica do final de maio foi a nova proposta de orçamento da administração Temer para 2015. Há nessa proposta aspectos estritamente econômicos, políticos e mesmo midiáticos que merecem nossa atenção.

O primeiro fato a se destacar é que o orçamento é uma boa notícia. Depois de semanas de massacre monotemático na mídia das autoridades quanto à necessidade imperativa de cortar gastos, vem a público um orçamento… sem muitos cortes de gastos !! Na verdade quase o oposto, como veremos. Alguém poderia falar em estelionato “não eleitoral”. Afinal, não deixa de ser irônico que o caminho percorrido por um governo não eleito parece ser o oposto de um eleito, unindo-lhes apenas a negação das promessas de “campanha”. Ninguém duvida que a profunda recessão de 2015, e que praticamente se repetirá em 2016, foi elemento chave no processo de Impeachment do Governo Dilma. Para executar um programa de ajuste fiscal com redução real dos gastos públicos, a presidenta Dilma Rousseff chegou mesmo a convocar um economista ortodoxo de mercado com credenciais, quase, imaculadas, somando ao seu projeto de início de governo, política fiscal austera, uma dimensão simbólica: um economista austero.

Como esperado em 2015, o contracionismo fiscal foi contracionista em termos macroeconômicos e caberá à história julgar o papel que tal desastre econômico jogou no processo que afastou a presidenta do governo. Mas como da história retiram-se lições para não se repetir os erros do passado, tudo leva a crer que, fora do campo retórico, os atuais gestores da economia aprenderam a lição.

Análise desagregada da inflação por setores industriais da economia brasileira entre 1996 e 2011

O artigo realizou uma investigação empírica sobre a dinâmica inflacionária de 17 setores industriais da economia brasileira entre 1996 e 2011. A partir de uma discussão teórica sobre a relação entre a inflação e a demanda agregada nas abordagens Convencional (Modelo do Novo Consenso), Pós-keynesiana e do Conflito Distributivo, buscou-se evidências de inflação de excesso de demanda e de pressões de custo nesses setores.

Taxa de Câmbio Real e Comércio Exterior: uma Revisão Crítica da Abordagem Novo Desenvolvimentista

This paper explores, initially, a classical model of the determination of terms of trade developed by Shaikh (1999), which allows to analyze different types of closures that combine changes in prices and quantities to reach external trade balance.We show that usually the Keynesian tradition optsfor a quantity adjustment, as in Thirlwall Model, but
in Ferrari, Freitas and Barbosa Filho (2013) a “Novo Desenvolvimentista” hetherodo model the adjustments is achieved by a once and for all exchange rate change, initial price adjustment, followed by an endogenous variation of income, both of exports and imports, elasticities.

As finanças públicas e o impacto fiscal entre 2003 e 2012: dez anos de governo do Partido dos Trabalhadores

Desde a crise externa no final da década de 1990, a economia brasileira adota um conjunto de políticas econômicas. Dentre essas medidas estava a meta de superávit primário como o principal objetivo da política fiscal, que é utilizado até hoje, mesmo com a entrada do Partido dos Trabalhadores (PT), oposição e crítico destas medidas.

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