Carlos Medeiros

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Recursos Naturais, Nacionalismo e Estratégias de Desenvolvimento

A economia institucional se tornou a perspectiva de análise predominante para as experiências nacionais de desenvolvimento. O sucesso ou fracasso econômico tem sido explicado pelo papel desempenhado pelas instituições. Esta abordagem tem sido particularmente aplicada às experiências nacionais onde recursos naturais são abundantes e formam as suas principais fontes de exportação. Argumenta-se que os países podem escapar desta “armadilha das commodities” associada à abundância de recursos se boas instituições puderem transformar este ativo natural em uma oportunidade para promover investimentos e difundir o desenvolvimento por outras áreas e setores. Nestas análises, supõe-se que as boas instituições econômicas são aquelas normalmente encontradas de forma predominante em economias de mercado desenvolvidas.

From Export Specialization in Natural resources to Diversification in Manufacturing

Indonésia, Malásia e Tailândia, conhecidas como SEANICs (Países Recentemente Industrializados do Sudeste Asiático), tiveram economias inicialmente especializadas em exportações primárias, mas que dentro de um curto período de tempo conseguiram alcançar extensa exportação e diversificação produtiva na indústria de transformação. Estes países registraram um rápido crescimento do PIB e do PIB per capita entre 1980 e 201, e passou por uma mudança estrutural notável em suas economias. O objetivo deste trabalho é analisar as trajetórias de desenvolvimento dos SEANICs, investigando sua principal fonte de crescimento econômico, especialmente relacionada à integração econômica regional.

Natural Resource Nationalism and Development Strategies

The institution economics became a predominant analytical perspective for developmental national experiences. The economic success or failure has been predominantly explained by the role played by institutions. This approach has particularly been applied to the national experiences where natural resources are abundant and form their main source of exports. Irrespective of this structural dimension, so follows the argument, countries can escape from the “commodity trap” associated to this resource endowment if good institutions can transform this natural asset in an opportunity to foster investment and spread development to other areas and sectors. In these analyses the good economic institutions are normally considered the set of institutions that were supposed to be predominant in developed market economies.

A Economia Política da Transição na Rússia

Um fato espetacular marcou o fim do século XX: o colapso e a desintegração da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) e uma radical transição ao capitalismo. No início do novo século, a Rússia passou por uma nova mudança, com um projeto nacional de reconstrução econômica e poder político. Tal traje- tória vem fazendo da Rússia um protagonista no cenário internacional.

A China e as Matérias Primas. Brasil e China no Reordenamento das relações Internacionais: Desafios e Oportunidades

As amplas transformações estruturais decorrentes dos processos de industrialização e urbanização ocorridos nas últimas décadas na China têm gerado grande impacto sobre a economia e geopolíticas mundiais. Em particular, a crescente dependência chinesa às importações de energia e matérias-primas alterou substancialmente os seus preços com amplos impactos em sua oferta mundial. A construção de uma base internacional de supridores destas commodities constitui possivelmente a face mais visível da internacionalização das firmas chinesas e da ampla iniciativa do governo chinês nas relações internacionais.

O ciclo recente de crescimento chinês e seus desafios

A China, como de resto toda a economia mundial, foi intensamente abalada pela crise financeira americana de 2008. Em resposta adotou um elevado programa de gasto público superior a meio trilhão de dólares, centrados em investimentos em infra-estrutura. Como resultado, após uma desaceleração em sua trajetória de crescimento no primeiro trimestre de 2009, retomou um ritmo maior no último trimestre recuperando sua trajetória de alto crescimento e situando-se acima da meta prevista de 7,5% para o período de 2006 a 2010 estabelecida no 11o Plano Qüinqüenal.

Muito se especula sobre a sustentação deste crescimento no atual contexto internacional e sobre as possíveis transformações neste padrão e seus impactos na economia mundial. Com efeito, no âmbito do governo e do Partido Comunista, tem sido crescente a disputa sobre o uso apropriado destes recursos públicos. De um lado, se posicionam os defensores da agenda liberalizante e de continuidade do padrão de crescimento atribuído às exportações e investimentos externos; de outro, diversos críticos do modelo chinês, tanto aqueles críticos do export led quanto os que atribuem a concentração da renda observada nos últimos anos à uma estratégia de investimento centrada em setores intensivos em capital.

Modelos Alternativos para la integración Sudamericana

With the advent of the new millennium, initiatives aiming at establishing an integrated economic area in South America, such as the proposal of Venezuela to join MERCOSUR, the creation of the Union of South American Nations (UNASUR) and the Bolivarian Alternative for the Americas (ALBA), have gained increasing political and economic importance. As opposed to the US and the neoliberal model of regional integration exemplified by NAFTA, these South American initiatives aim to create an integrated region which would increase the bargaining power of each country in negotiations with industrialized nations, and enhance social and economic cohesion in the region. However, the economic and political structures that are shaping South American integration are not necessarily coherent with their original geopolitical and social goals. The emphasis on free trade, the predominance of Brazil and its growing intra-regional trade surplus, as well as wide regional disparities, weaken the construction of an integrated economic area.

China: Desenvolvimento Econômico e Ascensão Internacional

A estratégia de modernização e de transição econômica para uma economia de mercado liderada pelo Estado implementada na China desde as reformas iniciadas em 1979 por Deng Xiaoping manteve-se nas últimas décadas sem solução de continuidade.

Ela levou a uma extraordinária expansão econômica fazendo da China o país de mais alto e persistente crescimento econômico dos tempos modernos. Com um PIB de $1,932 bilhões1, com exportações superiores às dos EUA e Japão, um fluxo de comércio superior a um trilhão de dólares e reservas também superiores a um trilhão de dólares, a China afirmou-se como um grande ator da economia mundial. A previsão do governo chinês é atingir um PIB de $4 trilhões em 2020.

Os Dilemas da Integração Sul-Americana

Com a entrada do novo milênio, multiplicaram-se na América do Sul diver- sas iniciativas visando à constituição de uma área econômica integrada. A incorporação da Venezuela ao Mercosul e as propostas de uma Comunidade Sul-americana das Nações (CASA) e de uma Aliança Bolivariana das Nações (ALBA) são algumas iniciativas de um processo iniciado nos anos 80 e que vem adquirindo crescente importância econômica e política. As iniciativas de integração regional em que o Brasil assumiu papel de protagonista vêm se dando num contexto de afirmação de um projeto político e econômico alternativo ao que os Estados Unidos implementaram na América do Norte (NAFTA), na América Central (CAFTA) e propuseram para o conjunto da região — a ALCA (Área de Livre-comércio das Américas) — e aos acordos bilaterais de livre-comércio (FTA) que, isoladamente, esse país assinou com o Chile, a Colômbia, as nações do Caribe, além do proposto para o Peru.

Celso Furtado na Venezuela

Celso Furtado desenvolveu uma sugestiva interpretação do subdesenvolvimento em condições de abundância de divisas ao longo de suas análises sobre a economia venezuelana. Este artigo investiga os mecanismos identificados pelo autor sobre o crescimento econômico com câmbio real valorizado, a “peculiaridade” da Venezuela, e também analisa em que medida os ciclos de endividamento, a volatilidade dos preços do petróleo e da taxa de câmbio e as opções de política econômica das últimas décadas alteraram o padrão econômico que Celso Furtado descreveu.

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