Carlos Medeiros

10 Posts Back Home

Sobre os Mitos do Capitalismo Americano e a Ascensão da Nova Direita

Todo poder necessita de mitos, isto é, construções ideológicas extraídas do senso comum que despertam nos indivíduos sentimentos de identificação e adesão, e, ao mesmo tempo, escondam ou relativizam as relações de poder reais que não encontram justificativas no senso comum. Não há processo de mudança e seguramente não há processo de mobilização popular que não ataque os mitos preexistentes e construa novos mitos, uma nova utopia, como bandeiras aglutinadoras das massas. Nos últimos anos a ascensão da nova direita tem ocorrido em diversos países através não de golpes de Estado, mas de vitórias eleitorais após intensa (e inédita para as forças de direita) mobilização de ‘corações e mentes’ reproduzindo e mesmo copiando os métodos historicamente utilizados pela esquerda em suas históricas lutas contra o poder e o status quo. Esta tese do ‘mimetismo’ de Thomas Frank sobre o ressurgimento da altright (Tea Party) nos EUA é bastante sugestiva não…

Oligarquia e Oligarcas

A oligarquia é um regime político em que uma diminuta parcela da população dotada de extraordinários recursos materiais governa para si. No seu livro Oligarchy Jeffrey Winters (um cientista político americano) apresenta uma análise original sobre o poder dos oligarcas- atores que comandam e controlam recursos materiais extraordinários-   entendendo por poder o conjunto de estratégias e de políticas tomadas por estes atores visando a preservação da sua riqueza. A extrema concentração da renda e da riqueza é a base da existência dos oligarcas. Ele examina a estratégia destes atores em diversas economias (“plutonomy) tanto nos dias atuais – como na Indonésia, nas Filipinas, em Cingapura ou nos EUA, bem como diversas outras ao longo da história.  Ao contrário do pensamento liberal moderno (Douglas North, Acemoglu, etc) que identifica oligarquia com a elite no poder e que, tal como predomina no Brasil atual (e desde sempre, com Sergio Buarque, etc), considera a sua formação…

Raízes Americanas da Ascensão da Ideologia de Direita no Brasil

A FSP de hoje publicou interessante artigo de Christian Schwartz sobre a violência anti-intelectual da classe média numa linha já explorada em artigo de Eliane Brum, publicado neste mesmo jornal. Ambos artigos discutem o triunfo da nova direita no país a partir do triunfo do ‘homem mediano’ (como se referiu Eliane ao eleitor do Bolsonaro), do ‘ignorante empoderado’ como classificou Christian aos valores anti-intelectuais da classe média brasileira atual. Como eu venho insistindo há um tempo, creio que o que veio se passando no país no plano das ideologias tem raízes com o que se passou nos EUA. Com efeito, como examinado por Thomas Frank (Pity the Billionares), Jesse Duke, um dos animadores do Tea Party (grupo que apoiado por bilionários conservadores liderou um movimento para a direita no partido republicano) argumentava que a América estava dividida em duas classes que nada tinha a ver com a renda ou a riqueza…

CHINESE INDUSTRIAL POLICY IN THE GEOPOLITICS OF THE INFORMATION AGE: THE CASE OF SEMICONDUCTORS

This paper examines the semiconductor’s industry growing importance as a strategic technology in the modern industrial system and in contemporary warfare. It also analyzes this industry’s evolution in China and the Chinese semiconductor industrial policy over the last years. We review the Chinese interpretation of the ‘revolution in military affairs’ and China’s perception of its backwardness as well as the possibilities of catch-up and evolution in the most sophisticated segments of this productive chain through domestic firms and indigenous innovation. Leia Online Download Clique aqui para fazer o download

O Retorno dos Bacharéis

Na República Velha, o bloco dominante era formado pelos proprietários de terra, com os bacharéis como seus intelectuais orgânicos (Antonio Gramsci em sua análise do Mezzogiorno italiano referia-se a estes como intelectuais orgânicos do bloco agrário), tanto por legitimarem esta dominação quanto por resolverem os litígios comerciais e defenderem seus direitos de propriedade (obtidos em grande parte por fraudes).

Finance, Trade, and Income Distribution in Global Value Chains: Implications for Developing Economies and Latin America

Global Values Chains (GCVs) led by transnational corporations (TNCs) have reshaped the world division of labor over the past two decades. GVCs are pervasive in low technology manufacturing such as textile and apparel as well as in more advanced industries like automobiles, electronics, and machines. This hierarchical division of labor generates wild competition at the lower value-added stages of production, where low wages and low profit margins prevail for workers and contract manufacturers in developing countries.

A destruição destruidora

É possível que muitos dos que observam a atual crise da economia, do emprego, das grandes empresas de engenharia, das empresas estatais, do PT e mais geral, do sistema político brasileiro considerem que estamos vivendo uma fase difícil e traumática, mas que tal como no processo de destruição criadora de Joseph Schumpeter, ou, na visão do Cândido narrada por Voltaire, ela abrirá espaço para uma desejada renovação econômica, social e política. Eu, talvez porque não conheça muito de metafisica, considero a atual crise de uma forma mais materialista: ela se traduz em uma extraordinária desvalorização das empresas estatais e dos seus ativos. Abre-se uma lucrativa oportunidade para a compra barata destes ativos e para provisão mercantil (cara) de serviços públicos. A criatividade empresarial é obter algum ganho em troca de nada. Tudo, é claro, dentro da lei.

Navigate