Mais além do desenvolvimentismo

Liberais (neo e de longa data) costumam caracterizar as idéias que animaram os anos do desenvolvimentismo pós-Segunda Guerra, como “muito antigas”. O livro Estados e moedas no desenvolvimento das nações fornece todo um conjunto de argumentos teóricos e descrições históricas que confirmam esse ponto de vista. Não se deve esquecer, e o livro aponta isso com clareza, que as próprias idéias liberais também não são tão novas assim, datando do século passado: seja na sua forma primeira, através das recomendações de políticas específicas por autores clássicos, seja na sua forma “canônica”, que deriva diretamente da teoria marginalista, a partir de 1870.

Na verdade o “muito” das “idéias antigas” é de certa forma tomado ao pé da letra pelo livro. Já no seu ensaio introdutório, José Luís Fiori retrocede a um distante tempo histórico/teórico, buscando no confronto das idéias dos mercantilistas com seus críticos as
raízes da expulsão dos Estados (e de seus sistemas interestatais) do papel de elemento crítico para a compreensão dos processos de desenvolvimento desigual das diferentes nações. Essa perspectiva de análise é, aliás, resumida por Arrighi na apresentação do livro,
como uma “visão braudeliana, nada convencional, da existência de uma relação ligando a criação e a reprodução ampliada do capitalismo histórico, como sistema mundial, aos processos de formação de mercados de outro… (de forma que todas) as expansões e reestruturações da economia capitalista mundial ocorrem sempre sob a liderança de determinadas comunidades e blocos de agentes governamentais e empresariais”.

Nesse sentido o título Estados e moedas no desenvolvimento das nações é quase
um resumo do que o leitor vai encontrar nas cerca de 500 páginas que o esperam. Mas atenção, o sentido das palavras do título é bastante específico e reflete a abordagem radicalmente antiortodoxa dos ensaios ali reunidos. A forma plural como “moeda” aparece
no título não é gratuita, e revela uma visão que interpreta os diversos arranjos monetários histórico-internacionais como reflexo das relações de poder entre os principais Estados do núcleo capitalista, bem como a forma como esses arranjos condicionam as perspectivas de desenvolvimento das diversas nações. Nada mais longe, pois, de abordagens monetaristas, explícitas ou não, que costumam estudar os fenômenos monetários segundo uma perspectiva neutra e cuja administração e suposto controle nacionais refletiriam o grau de “responsabilidade” dos diferentes governos.

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