Adeus capitalismo dependente. Olá neo-primário exportador?

O presente trabalho discute alguns pontos relacionados ao debate sobre desenvolvimento na América Latina, e especificamente Brasil, num período de tempo que vai desde o final da Segunda Grande Guerra até os dias atuais. Inicialmente, apresentam-se algumas características básicas da teoria clássica do desenvolvimento, da qual a reflexão Cepalina é uma importante contribuição. Esta reflexão, entretanto,era bastante otimista quanto ao impacto de um processo de industrialização, com participação de um estado intervencionista, nas mudanças estruturas da sociedade que levariam a superação do subdesenvolvimento.

 

Na entrada dos anos 1960 esse otimismo começou a ser contestado dentro do próprio campo desenvolvimentista, ou seja, começou-se a duvidar da capacidade das políticas industrializantes de superar o subdesenvolvimento sendo sugerido que este se reporia historicamente, a despeito da implantação de setores modernos industriais. Essa crítica inicial, que tem em Furtado seu formulador mais importante, se amplificou em conseqüência de situações históricas de crise nos anos 1960 levando a reflexões bastante pessimistas quanto a própria possibilidade de prosseguimento do processo de acumulação dentro dos parâmetros capitalistas.

Destacam-se nessa critica, novamente, Furtado, em sua versão estagnacionista e os Dependentistas Marxistas. Ainda neste campo de revisão crítica podemos identificar o dependentismo de Cardoso e Falleto que reconhecia a possibilidade de avanço da acumulação capitalista nas economias em desenvolvimento, mas anotava, ao mesmo tempo, sua incompatibilidade com a construção de uma sociedade democrática. A crise dos anos 1980 interrompeu tanto o processo de desenvolvimento quanto o debate em torno deste. Após um breve interregno de hegemonia absoluta neoliberal a retomada recente do debate sobre desenvolvimento incorpora novos elementos analíticos e históricos empíricos, entre eles as novas alianças de classes dominantes em torno de interesses rentistas e uma eventual tendência sobre valorização estrutural do câmbio, e que são brevemente explorados nas últimas seções da palestra.

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