Sraffa e Keynes: Duas críticas à tendência ao pleno emprego dos fatores na abordagem neoclássica

A tendência ao pleno emprego de todos os fatores na visão neoclássica da operação do mecanismo de mercado competitivo deveria estar assegurada por dois mecanismos centrais, a saber: a flexibilidade dos preços reais (e nominais) dos fatores de produção e um suficientemente alto grau de substituição direta e indireta de fatores. A substituição direta de fatores é a substituição na produção, na qual métodos de produção mais intensivos no uso de um fator são adotados quando seu preço relativo se reduz. A substituição indireta de fatores diz respeito ao efeito sobre a utilização de um fator cujo preço foi reduzido devido à substituição direta no consumo, o que ocorre como reação à redução do preço relativo de bens produzidos com alto uso deste fator. As duas formas de substituição de fatores deveriam operar em conjunto e definir funções de demanda por fatores que seriam negativamente inclinadas. Esta teoria, bastante conhecida e ainda amplamente aceita, foi alvo de uma série de críticas teóricas importantes. Nesta nota vamos nos referir a dois tipos de crítica que consideramos bem gerais e relevantes, a saber: (i) Crítica externa monetária de John Maynard Keynes à flexibilidade da taxa de juros como mecanismo de ajuste entre poupança potencial e investimento. (ii) Crítica interna real de Piero Sraffa o efeito substituição na demanda por fatores. Uma crítica empírica critica a própria ocorrência do resultado proposto por uma teoria. A crítica teórica é dita externa quando questiona o realismo das hipóteses necessárias para se obter um dado resultado teórico. E uma crítica interna questiona se as hipóteses postuladas para se obter um dado resultado realmente são suficientes para que este resultado ocorra.

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